sábado, 27 de março de 2010

abstracção

Nada parece real, ligo-me a uma sensação de liberdade pouco compreensível contenho ao máximo a explosão de felicidade que está prestes a acontecer, corro por entre a relva descalça com o cabelo solto e um fluir de verde pelo corpo, sinto o orvalho na minha pele. Paro, olho à minha volta e tudo o que vejo são árvores e mais árvores que já vi antes, sinto-me a ficar sem fôlego, sinto o sol a bater no meu cabelo, gotas de suor a escorrerem-me pelas maçãs do rosto, mesmo assim não paro para não parar de ter aquela sensação de que tudo está bem desde que não pare de correr. Chego finalmente ao rio, molho os pés na água, ponho-me de cocaras e com as mãos em forma de concha molho a cara, levanto-me dispo-me e mergulho. Nesse preciso momento fecho os olhos e expiro, estou dentro de água livro-me do peso extra que carrego quando estou seca, ponho a cabeça fora da água, olho para onde deixei a roupa e observo os teus pés, continuo olhando para cima observando-te até que finalmente chego aos teus olhos onde me perco. Quando volto a mim peço-te para te juntares a mim. É aí que tu mergulhas e nadas até mim. Depois beija-mo-nos e é aí que eu percebo que mesmo parada estou a correr.






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