sábado, 27 de março de 2010

rush

GRITA! Dou-te um estalo não reages, dou-te um pontapé não reages, atiro-te com água não reages. Frustração, e agora ? O que fazer, o que dizer, quem chamar ? Tento manter a calma mas entro em pânico. Estou sem fôlego, a arfar. De joelhos, levo as mãos à cabeça junto ao couro cabeludo, cerro os dentes olho para ti, esparramado no chão sem reacção. GRITO, ouve-se um som estridente que ecoa e nem consigo decifrar como o emiti. Chamo por socorro mas ninguém me ouve. Espero por longos minutos que mais parecem horas. Tu acordas, perguntas-me o que se passou, eu no asfalto da auto-estrada vazia explico-te que caís-te no chão sem pré aviso. Com o carro, carteira e telemóvel roubados não temos por onde ir. Passa um carro com uma rapariga albina de olhos vermelhos e cabelo branco a conduzir, pedimos boleia. Ela pára o carro tu entras no banco da frente e eu no de trás, ela pede-me pra eu lhe chegar uma coisa da carteira, quando a abro encontro as nossas carteiras, as chaves do nosso carro e o telemóvel. Tu olhas pra mim e lês nos meus olhos o que se passa, saímos os dois do carro em andamento, eu rebolo pela encosta abaixo. ACORDO, afinal tinha adormecido ao volante, estava dentro do nosso carro tu estavas a guiá-lo e perguntas-me se eu estava bem, anuí dizendo 'Tive um sonho mesmo estranho'. Olho pela janela, o carro ao lado era o da rapariga e ninguém o estava a guiar mas a carteira permanecia no banco de trás.




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